sexta-feira, 13 de abril de 2012

                                                                    membros


Os membros de uma salamandra são menores e mais delgados que os da maioria de nós, humanos, mas as diferenças acabam aí. As patas e a cauda da salamandra são recobertas por pele e constituídas por esqueleto ósseo, músculos, ligamentos, tendões, nervos e vasos sangüíneos. Um arranjo frouxo de células chamadas fibroblastos garante unidade a esses tecidos internos e forma aos membros. Mas um aspecto torna os membros da salamandra únicos entre os vertebrados: a capacidade de regenerar-se a partir de um coto depois de amputado. Dessa forma uma salamandra adulta consegue regenerar completamente uma mão ou um pé, vez após vez, sejam tantas quantas forem as amputações. Os sapos conseguem regenerar um membro durante a metamorfose do girino, quando do primeiro surgimento de seus membros; mas perdem essa faculdade na vida adulta.

Mesmo os embriões de mamíferos estão aptos a substituir membros em desenvolvimento, mas essa faculdade igualmente desaparece muito antes do seu nascimento. De fato essa perda da capacidade regenerativa ao longo do desenvolvimento do organismo tende a se repetir na evolução de formas animais superiores, fazendo da lenta salamandra o único vertebrado que continua capaz de reproduzir partes complexas do corpo durante toda a vida.

Há muito os humanos questionam como o animal consegue esse feito. Como pode a parte do membro regenerada “saber” o quanto lhe falta a ser restituído? Por que a pele no coto não cicatriza fechando a ferida como acontece nos humanos? Como o tecido na salamandra adulta retém o potencial embrionário para reconstruir um membro inteiro do zero diversas vezes? Os biólogos estão perto de responder a todas essas perguntas. E, ao se entender como o processo regenerativo funciona na Natureza, espera-se conseguir desencadeá-lo para reconstituir membros amputados em humanos, por exemplo, e revolucionar a recuperação de outras graves feridas.
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Ken Muneoka, Manjong Han e David M. Gardiner integram um grupo de pesquisa multiinstitucional empenhado em regenerar membros de mamíferos. Seu grupo, liderado por Muneoka, é um dos dois únicos a receber uma verba multimilionária da Agência Americana de Defesa de Projetos de Pesquisa Avançada para buscar a regeneração de membros humanos. Muneoka é professor, e Han é professor-assistente de pesquisa do departamento de biologia celular e molecular da Tulane University. Gardiner é biólogo pesquisador do departamento de biologia celular e molecular da University of Califórnia em Irvine, onde também Muneoka recebera uma bolsa de estudos para completar seu pós-doutorado. Muneoka surpreendentemente voltaria a trabalhar lá quando o furacão Katrina o forçou a realocar sua família e equipe de pesquisa de Nova Orleans para Irvine, por cinco meses.

AARON GOODMAN
















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